Texto escrito por Roseli Santos.
ORIXÁ NANÃ BURUQUÊ
Nanã, também conhecida como Nanã Buruquê, é uma orixá venerada nas religiões afro-brasileiras, especialmente no Candomblé e na Umbanda. Ela é a orixá da lama, das águas paradas, dos pântanos e da terra úmida, representando a sabedoria, a transformação e o ciclo da vida e da morte. Nanã é considerada a mais velha das Yabás (orixás femininos) e uma figura ancestral, ligada à criação da humanidade e à passagem entre os mundos.
➤ PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DE NANÃ:
→ Domínios: Pântanos, lama, águas paradas, terra úmida.
→ Atributos: Sabedoria, paciência, justiça, renovação, conexão com os ancestrais.
→ Função: Responsável pela passagem entre a vida e a morte, reencarnação e desencarnação.
→ Criação: Nanã desempenha um papel crucial na criação da humanidade, fornecendo o barro do fundo da lagoa para que Oxalá molde o corpo humano.
Orixá Nanã também atua na memória dos seres, além de diluir seus acúmulos energéticos negativos, Nanã adormece sua memória, fazendo-o esquecer – num processo análogo à senilidade – onde não se lembrará de nada de seu passado. Este é o “benefício” divino do esquecimento.
Imaginem se lembrássemos das tristezas que causamos em nosso passado, em outras encarnações. Com certeza esse tormento atrapalharia nossa atual retificação.
Cronologicamente, temos a Orixá Nanã realmente como a anciã, a vovó. No início dessa linha, temos Mãe Oxum, a própria jovialidade – estimulando a sexualidade feminina. No meio, temos Mãe Iemanjá, como a mulher madura – estimulando a maternidade e, por fim, temos Mãe Nanã paralisando tanto a sexualidade quanto a geração de filhos.
Seu elemento é água-terra, sendo que seu par oposto magnético (Obaluayê) atua no elemento terra-água. Orixá Nanã é dual por definição e unigênita em si, pois traz em si a qualidade divina de decantar os excessos e enterrar os vícios e negativismos em seu barro, ou seu lodo, preparando os seres para retornarem ao caminho da evolução através da reencarnação. Analogamente, rege, entre outras linhas, as linhas de Exus e Pombagiras do Lodo.
Assim, elevemos nosso pensamento à Orixá Nanã, ao Divino Trono da Evolução. Peçamos que atue em nossas vidas, nos auxiliando em nossa caminhada evolutiva, nos guiando e conduzindo, de tal forma que, voltados para a Luz, não nos desviemos do caminho e que não seja necessário que sejamos paralisados e decantados em seu lodo.



