terça-feira, 5 de agosto de 2025

VOCÊ COLABORA COM SEU TERREIRO?

 Texto escrito por: Alexandre Cumino.




    " -Escrevi este texto, que está mais abaixo, já a alguns anos no entanto cada vez mais estou convencido desta verdade. O templo é de todos e não apenas do sacerdote. Todos tem responsabilidade, direitos e deveres sobre este templo. Sem que todos se sintam parte e façam parte do templo então o templo estará abandonado, largado, sujo, empoeirado e profanado."

    " -Se você faz parte de um templo então arregace as mangas e procure saber por onde pode fazer para ajudar nesta estrutura, procure saber quais são as dificuldades que este templo passa. Procure saber se o seu templo está em local adequado, verifique se o templo acomoda bem as pessoas que o procuram, se informe sobre as leis direitos e deveres de um templo."


PAGAR MENSALIDADE ?! É O MÍNIMO QUE VOCÊ PODE FAZER POR SEU TEMPLO!

    Um templo não é um clube que você paga uma mensalidade e vira as costas para as dificuldades e necessidades do mesmo.
 
    Sem dinheiro não conseguimos nem pegar um ônibus, comer, vestir ou fazer parte de alguma atividade social que se auto mantenha a não ser que... outros estão custeando nossa presença; o que é feito de fato quando um templo recebe a todos para um culto, louvação ou atividade mediúnica caritativa. Sempre há gastos e, se estamos sendo recebidos graciosamente e gratuitamente, alguém está custeando os gastos para realizar tal empreitada.


    O bem mais precioso, que é a vida, nos foi concedido gratuitamente assim como a presença de Deus, são bens que não se compram, vende ou troca. Daí a máxima: “dar de graça o que de graça recebemos”. 
Por esta máxima se dá a ética, não cobrar um único centavo pelo trabalho espiritual realizado nos Templos, que são a Casa de Deus, em que se reconhece o poder de realização muito além de nosso querer, ego ou vaidade. Gratuitamente está ali a graça divina e o poder de ação de nossos guias e Orixás.

No entanto quem paga o aluguel, luz, água, produtos de limpeza, vela, defumação, bebidas fumo e outros elementos ritualísticos além de encargos e cobranças relativas à legalização e contabilidade de um templo?


    O dirigente deve pagar tudo a fim de fazer valer sua condição de “beneficiário maior” ou este é seu “Carma”, o de manter e sustentar, sozinho, o trabalho que é realizado por um grupo de médiuns, uma comunidade?


    Então os outros médiuns, todos templos vivos de Deus e sacerdotes deste templo individual, que se reúnem no coletivo (terreiro), não tem a mesma responsabilidade que seu dirigente/sacerdote, guardando as proporções a que cada um foi chamado em sua missão?


    Para um médium assumir, realmente, este compromisso mediúnico/sacerdotal deve ter na Umbanda, em sua mediunidade e missão espiritual, uma prioridade perante a vida, na qual não deve haver compromisso que seja que o libere de estar presente de forma consciente de suas responsabilidades, que não se limitam a “vir e vestir o branco”, além de se mostrar presente e disposto a ajudar deve se informar, também, de como colaborar financeiramente com o templo que o acolheu, tomando conhecimento do valor de uma mensalidade ou do quanto a casa necessita para suas despesas e realizações outras voltadas a comunidade.


    Direitos e Deveres, obrigações e responsabilidades, também fazem parte de um trabalho espiritual. Se, de um lado, tudo recebemos do “espírito”, de Deus e suas Divindades e Entidades, por outro vivemos e nos movimentamos em um mundo real, no qual estamos em sociedade com suas regras e leis que devem ser observadas, respeitadas e cumpridas. Quem pretende realizar um trabalho espiritual com os olhos vendados para esta realidade está fadado ao fracasso, pois deve haver um equilíbrio, como um “caminho do meio”, entre espírito e matéria, nem tanto à terra e nem tanto ao céu.


    Pregar e viver o sagrado, fora da realidade material, em que vivemos, é tão perigoso e ariscado quanto pregar e viver um mundo sem a presença do sagrado, de Deus e seus mistérios. Pois ambas as opções podem alienar, iludir, fanatizar e tornar a pessoa cega e fundamentalista.


    Não é difícil identificar médiuns acomodados, encostados e muito mal acostumados que em nada contribuem para as condições físicas, básicas e mínimas necessárias para se realizar um trabalho espiritual, com o mínimo de higiene, limpeza e dignidade.


    Muitos esquecem de que, se o espírito é sagrado o corpo que o recebe o espírito também é sagrado, se o espírito tem origem divina o corpo também tem, pois a natureza é divina. Se o mundo espiritual é sagrado na realidade de terreiro o próprio terreiro em si, como a casa que recebe e acolhe o “Espirito”, a Deidade, também é sagrado. O chão do templo é solo sagrado no qual “pisam” os Orixás e guias espirituais, as paredes são sagradas, tanto quanto o altar e a tronqueira, pois tudo compõem o todo que é a casa da fé, espaço mágico-místico-religioso, no qual se manifesta o Mistério Maior por meio de seus adeptos; força, poder e mistério que está presente, também, em cada pedaço de pedra que compõe o Terreiro de Umbanda.


    Nosso Corpo Material assim como a estrutura física do terreiro é uma dádiva concedida como oportunidade de evolução para nosso espírito, logo, que se cuide e tenha o mesmo sentimento/respeito tanto pelo espírito/divindade quanto pelo corpo/templo, zelando por sua manutenção.


    Aquele que não tem como prioridade participar efetivamente da sustentação material para sua realização espiritual, não é merecedor da mesma. Salvo raras exceções de médiuns em dificuldades, reais, de desemprego, diferente daqueles que, por não priorizar a “Sua Casa”, vivem dando desculpas de que “não tem recurso” ou estão “apertados este mês”; simplesmente por que têm outros gastos que vem antes de seu compromisso, com a casa que o acolheu. Se sobra um “dinheirinho” já está destinado a qualquer outra atividade, menos ao compromisso assumido. Alguns fazem todos os cursos de espiritualidade que vem pela frente, se gabam de ser estudantes da espiritualidade, iniciados e preparados pelo astral em sua caminhada certa ao dia em que vão abrir sua própria casa, no entanto em nada colaboram com o principal, o templo ao qual dizem “fazer parte”.






PRETOS VELHOS

 Texto escrito por Roseli Santos


    O conselho de Preto Velho na Umbanda é um guia espiritual que oferece sabedoria, paz e cura através de ensinamentos baseados na experiência e na humildade. São entidades reverenciadas por sua capacidade de aconselhar, confortar e auxiliar na superação de dificuldades, tanto materiais quanto espirituais. 

 O QUE SÃO OS PRETOS VELHOS? 

    São entidades espirituais que se manifestam na Umbanda, frequentemente associadas a pessoas idosas e sábias, com raízes na cultura afro-brasileira. 
    Representam a força da ancestralidade e da experiência acumulada ao longo de muitas vidas. 
São conhecidos por sua humildade, paciência e capacidade de oferecer conselhos que trazem luz e orientação para aqueles que buscam ajuda. 


O QUE SÃO OS CONSELHOS DE PRETO VELHO? 

    São mensagens transmitidas por essas entidades para auxiliar as pessoas em suas jornadas espirituais e cotidianas. Podem envolver temas como superação de dificuldades, perdão, gratidão, fé e a importância da simplicidade. São considerados um bálsamo para a alma, trazendo paz, conforto e esperança para aqueles que buscam auxílio. 


COMO SE CONECTAR COM OS PRETOS VELHOS E RECEBER SEUS CONSELHOS? 

    ➤ NA UMBANDA: 
    Durante as sessões mediúnicas, é possível receber conselhos diretamente dos Pretos Velhos. 


    ➤ ATRAVÉS DE ORAÇÕES E PONTOS CANTADOS: 
    Muitas pessoas se conectam com essas entidades através de orações e pontos cantados que evocam sua presença e sabedoria. 


    ➤ ATRAVÉS DA REFLEXÃO E DO AUTOCONHECIMENTO:
    Os ensinamentos dos Pretos Velhos podem ser aplicados na vida diária, através da busca pela sabedoria interior e da prática da humildade e do amor ao próximo. 


    ➤ COM RESPEITO E FÉ:
    A conexão com os Pretos Velhos se fortalece com a fé, o respeito e a busca por uma vida mais alinhada com os valores da Umbanda. 


Exemplos de conselhos:
"Cortem aquilo que não os faz crescer"; 
"Não percam uma oportunidade de fazer o bem"; 
"Acreditem que sempre o amor os auxiliará em tudo na vida"; 
"Caminhem com fé, pois o Senhor Jesus nunca manda um fardo mais pesado do que possamos aguentar".


    Preto velho  , nos ensina  a desapegar do que não nos  faz bem e a valorizar as coisas simples da vida. Principalmente nos ensina a dar  valor aos pequenos acontecimentos da vida. Nos ensina a amar  e a ajudar aqueles que amamos, pois, fazer caridade começa primeiro por aqueles que amamos, assim, conseguiremos olhar o outro com amor e a nós mesmos .

🙏 ADOREI AS ALMAS 🙏

quinta-feira, 31 de julho de 2025

ORIXÁ NANÃ BURUQUÊ

 Texto escrito por Roseli Santos.

ORIXÁ NANÃ BURUQUÊ


    Nanã, também conhecida como Nanã Buruquê, é uma orixá venerada nas religiões afro-brasileiras, especialmente no Candomblé e na Umbanda. Ela é a orixá da lama, das águas paradas, dos pântanos e da terra úmida, representando a sabedoria, a transformação e o ciclo da vida e da morte. Nanã é considerada a mais velha das Yabás (orixás femininos) e uma figura ancestral, ligada à criação da humanidade e à passagem entre os mundos. 


➤ PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DE NANÃ:  

     → Domínios: Pântanos, lama, águas paradas, terra úmida.

     → Atributos: Sabedoria, paciência, justiça, renovação, conexão com os ancestrais.

     → Função: Responsável pela passagem entre a vida e a morte, reencarnação e desencarnação. 

     → Origem: Originária da região do Daomé (atual Benim), onde é reverenciada como vodum. 
  
     → Representação: Mulher idosa, com pele escura e cabelos brancos, frequentemente acompanhada de um ibiri (cetro).

     → Criação: Nanã desempenha um papel crucial na criação da humanidade, fornecendo o barro do fundo da lagoa para que Oxalá molde o corpo humano. 

     → Sincretismo: No sincretismo religioso, Nanã é frequentemente associada a Sant'Ana, a mãe de Maria e avó de Jesus. 

     →  Saudação: A saudação a Nanã é "Saluba Nanã!", que significa "Nos refugiamos em Nanã" ou "Salve a senhora/mãe do poço, da lama, das águas pantaneiras".
    

    Orixá Nanã também atua na memória dos seres, além de diluir seus acúmulos energéticos negativos, Nanã adormece sua memória, fazendo-o esquecer – num processo análogo à senilidade – onde não se lembrará de nada de seu passado. Este é o “benefício” divino do esquecimento.

    Imaginem se lembrássemos das tristezas que causamos em nosso passado, em outras encarnações. Com certeza esse tormento atrapalharia nossa atual retificação.

    Cronologicamente, temos a Orixá Nanã realmente como a anciã, a vovó. No início dessa linha, temos Mãe Oxum, a própria jovialidade – estimulando a sexualidade feminina. No meio, temos Mãe Iemanjá, como a mulher madura – estimulando a maternidade e, por fim, temos Mãe Nanã paralisando tanto a sexualidade quanto a geração de filhos.

    Seu elemento é água-terra, sendo que seu par oposto magnético (Obaluayê) atua no elemento terra-água. Orixá Nanã é dual por definição e unigênita em si, pois traz em si a qualidade divina de decantar os excessos e enterrar os vícios e negativismos em seu barro, ou seu lodo, preparando os seres para retornarem ao caminho da evolução através da reencarnação. Analogamente, rege, entre outras linhas, as linhas de Exus e Pombagiras do Lodo.

    Assim, elevemos nosso pensamento à Orixá Nanã, ao Divino Trono da Evolução. Peçamos que atue em nossas vidas, nos auxiliando em nossa caminhada evolutiva, nos guiando e conduzindo, de tal forma que, voltados para a Luz, não nos desviemos do caminho e que não seja necessário que sejamos paralisados e decantados em seu lodo.


Saluba Nanã 
















terça-feira, 1 de julho de 2025

ORIXÁ OBÁ

 texto escrito por Rubens Saraceni. 


ORIXÁ OBÁ 


É a orixá que aquieta e densifica o racional dos seres, já que seu campo preferencial de atuação é o esgotamento dos conhecimentos desvirtuados.

Comentar sobre nossa amada mãe Obá é motivo de satisfação, pois, nas lendas, resumem sua existência ao papel de esposa repudiada por Xangô. Mas, justiça lhe seja feita, as lendas vêm sendo repetidas a tanto tempo, e às vezes de forma tão empobrecidas pelas transmissões orais que, até como lendas, deixam a desejar e mostram como é deficiente o conhecimento sobre o campo de ação dos orixás.

Saibam que a orixá Obá que nós conhecemos e aprendemos a amar e reverenciar é uma divindade regida pelos elementos terra e vegetal, e forma com Oxóssi a terceira linha de Umbanda Sagrada, que rege o Conhecimento. Oxóssi está assentado no polo positivo e irradiante desta linha e Obá está assentada em seu polo negativo ou cósmico, que é absorvente.

Esta lenda, na verdade, refere-se a um rei que, como herdeiro das qualidades de Xangô, tinha várias esposas, que também se apresentavam como herdeiras das qualidades dos orixás femininos. E, se o que está lenda conta é verdade, no entanto só se refere a personagens humanos que eram tidos na conta de semideuses. Mas é só, porque esta história de orixá disputar pelejas tipicamente humanas e carnais, está mais para coisas humanas de que mistérios divinos. E, não tenham dúvidas de que os orixás são mistérios divinos que foram, em muitos casos, descaracterizados pelas próprias lendas, que visam eternizá-los na mente e nos corações humanos.

Saibam que Obá é uma Orixá cósmica cujo elemento original é a terra, pois ela é orixá telúrica por excelência e atua nos seres através do terceiro sentido da vida, que é o conhecimento, que desenvolve o raciocínio e a capacidade de assimilação mental da realidade visível, ou somente perceptível, que influencia nossa vida e evolução continua. Já o seu segundo elemento é o vegetal.

Enquanto o orixá Oxóssi, o mitológico caçador, estimula a busca do conhecimento (evolução), Obá atrai e paralisa o ser que está se desvirtuando justamente porque assimilou de forma viciada os conhecimentos puros.

O culto à orixá Obá iniciou-se a quatro milênios atrás com a irradiação simultânea de uma de suas qualidades ou aspectos, a várias partes do mundo, quando, então, ela se humanizou. E se nossa amada mãe Obá já recolheu boa parte de seus filhos encantados que se espiritualizaram, muitos ainda estão evoluindo nos dois lados da dimensão humana.

Muitos dos seus filhos são, hoje e na Umbanda, alguns dos mais silenciosos exus e das mais discretas pombas-gira, dos mais aguerridos caboclos e caboclas, resolutos nas suas ações, precisos nos seus conselhos, e não são de muita conversa quando sentem que o conhecimento que trazem não é assimilado por seus médiuns ou pelas pessoas que os consultam.

    Agora, deixando os aspectos individuais ou comentários de apoio, o fato é que nossa amada mãe Obá é uma divindade planetária, regente do polo negativo da linha do conhecimento, que é a terceira linha de forças de Umbanda Sagrada.

Ela e Oxóssi formam esta linha e atuam em polos opostos: enquanto ele estimula a busca do conhecimento, ela paralisa os seres que se desvirtuaram justamente porque adquiriram conhecimentos viciados, distorcidos ou falsos.

O campo onde Obá mais atua é o religioso. Como divindade cósmica responsável por paralisar os excessos cometidos pelas pessoas que dominam o conhecimento religioso, uma de suas funções é paralisar os conhecimentos viciados e aquietar os seres antes que cometam erros irreparáveis.

O ser que está sendo atuado por Obá começa a desinteressar-se pelo assunto que tanto o atraia e torna-se meio apático, alguns até perdendo sua desvirtuada capacidade de raciocinar. Então, quando o ser já foi paralisado e teve seu emocional descarregado dos conceitos falsos, ai ela o conduz ao campo de ação de Oxóssi, que começará a atuar no sentido de redirecioná-lo na linha reta do conhecimento.

É certo que esta atuação que descrevemos é a que Obá realiza através do seu aspecto positivo ou luminoso, por onde fluem suas qualidades, atributos e atribuições positivas. Mas como todo orixá cósmico, ela também possui seus aspectos negativos, que ativa sempre que é preciso acelerar a paralisação de um ser que, com seus conhecimentos, está prejudicando muitas pessoas e atrapalhando suas evoluções pois está induzindo-as a seguirem em uma direção contrária à que a Lei Maior lhes reservou.

Saibam que todas as doutrinas religiosas rígidas e rigorosas com seus adeptos têm a sustentá-las a silenciosa atuação de nossa amada mãe Obá. Vasto é o campo de atuação de nossa amada mãe Obá e aqui não dá para mostrá-lo todo. Mas acreditamos que os filhos de Umbanda já entenderam onde e quando ela atua. E, porque ela atua de forma silenciosa e vai paralisando os seres que dão mau uso ao dom do raciocino e aos conhecimentos adquiridos, e atua preferencialmente no campo religioso, então está na hora de resgatar os aspectos luminosos dessa amada mãe cósmica e lançar no lixo religioso a lenda que denigre sua imagem humana, pois foi por amor a nós, espíritos humanos, que ela se humanizou e ajudou a acelerar nossa evolução.

Que fiquem propagando sua falsa humanização os que um dia haverão de conhecer as verdades sobre Obá, mas nos domínios de seus aspectos negativos.



VOCÊ COLABORA COM SEU TERREIRO?

 Texto escrito por: Alexandre Cumino.     " - Escrevi este texto, que está mais abaixo, já a alguns anos no entanto cada vez mais estou...